GIRO PELO MUNDO DO VINHOS – Hoje vim escrever um pouco de uma região que conheço bem e foi uma das mais encantadoras que já visitei, o Alentejo, região sul de Portugal, onde temos o maior território vitivinícola do país, de grandes quintas e produtores maravilhosos.
Fui lá em 2022 a convite da CVRA – Comissão Vitivinícola Regional Alentejana para conhecer um pouco da região e alguns produtores. Fui finalista do Concurso de Melhor Sommelier do Alentejo, onde o campeão foi meu amigo Gabriel Raele, e na edição de 2025 outro amigo venceu, o Bruno Sias. Mas mais que um concurso, campeonato ou o que quer que seja, foi o curso mais imersivo numa região que participei.
O Alentejo tem uma paisagem bucólica, de grandes campos de vinhedos, amendoais, olivais, a região além de produzir ótimos vinhos, tem os melhores azeites do mundo – item básico para região quente, como o Sul da Itália também produz. Tem um programa muito interessante e super engajado de proteção ambiental e sustentabilidade na produção, utilizando da melhor forma o recurso natural e menos água.
Suas sub-regiões são interessantes pois apesar de o país não ter um território imenso, é muito subdividido entre solo e microclimas. Vou apontar as principais sub-regiões que estão sob a demarcação da DOC Alentejo e uma característica básica e uma vinícola ícone:
Portalegre – Região mais próxima a Espanha (a cidade de Elvas divide com Badajoz), alta, fria e protegida pela Serra de São Mamede, produz vinhos elegantes, complexos e longevos.
Vinícola: Tapada do Chaves.
Borba – Região onde temos uma das maiores reservas de mármore no mundo, portanto teremos vinhos ainda elegantes, porém com um pouco mais de potência e um toque mineral. Além disso é uma região mais chuvosa, dando frescor aos vinhos.
Vinícola: Adega de Borba.
Évora – Região central, onde fica localizada a sede da CVRA, vasta mas ainda assim de grande produção de vinhos, mais potentes. Sofreu tanto com a filoxera quanto com a campanha cerealífera, se reconstruiu na década de 80 chegando ao topo das produções novamente.
Vinícola: Fundação Eugenio de Almeida.
Redondo – região onde vemos a falha geológica da Serra D’Ossa, que vai a 600m de altitude, dando uma amplitude térmica maravilhosa para a vitivinicultura, com vinhos equilibrados em acidez, tanino, álcool e fruta em solo que mistura xisto e argila.
Vinícola: Roquevale.
Reguengos – No Reguengos de Monsaraz temos uma região de boa amplitude térmica, grande produção de volume, vinhos intensos, encorpados, porém equilibrados.
Vinícola: Herdade do Esporão.
Vidigueira – Região onde temos outra falha geológica muito antiga, que protege a área do vento quente que vem da Espanha, dando vinhos com mais frescor, acidez elevada, causando complexidade e longevidade nos vinhos dali.
Vinícola: Herdade do Rocim.
Granja-Amareleja – Região muito quente, onde é quase possível se chegar aos 50 C no auge do verão, dando na garrafa/taça vinhos encorpados, alcoólicos e intensos, mais redondos e untuosos.
Vinícola: Cooperativa Granja-Amareleja.
Moura – Região também muito quente, mas de menor produção, solo pobre e raso com muita retenção de água, com vinhos também opulentos e encorpados, mas com taninos presentes equilibrando com os outros elementos. A casta principal é a Castelão, tão conhecida no Setúbal também.
Vinícola: Herdade dos Cotéis
Isso foi só uma pequena parte do que o Alentejo oferece, ainda temos o Vinho de Talha e a IG Alentejano para comentar sobre, mas vou fazer em partes separadas.













