GIRO NO ESPORTE – O futebol está ficando rico demais para continuar tão mal organizado
E aqui está o ponto central desta coluna. Ninguém é contra o dinheiro no futebol. Que os clubes arrecadem mais, que os jogadores sejam melhor remunerados, que os estádios estejam cheios e que os patrocinadores invistam. O problema começa quando o dinheiro passa a determinar tudo.
O calendário cresce, o número de partidas aumenta e, muitas vezes, a televisão parece entrar em campo antes do jogador. A recuperação dos atletas fica em segundo plano, os gramados são utilizados até o limite e o torcedor recebe cada vez mais jogos, mas nem sempre recebe mais qualidade.
E aí está a contradição: futebol demais pode acabar sendo futebol de menos. Não adianta aumentar a quantidade de partidas se o resultado é jogador cansado, campo castigado e espetáculo comprometido.
O Brasil tem torcida, tradição, jogadores e mercado para construir um dos maiores produtos esportivos do mundo. Mas qualidade também faz parte desse produto. Não basta vender mais futebol. É preciso cuidar de quem faz o jogo acontecer e entregar ao torcedor um espetáculo que justifique estar ali.
O futebol pode, sim, ficar mais rico. Só não pode crescer a ponto de esquecer que, antes de ser um grande negócio, ainda precisa ser um grande espetáculo.
Porque a bola precisa continuar rolando. Mas não a qualquer preço.













