GIRO MACAÉ – Pequenos, mas com grande impacto nos ecossistemas, os borrachudos — conhecidos cientificamente como simulídeos — são alvo de uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (NUPEM/UFRJ), em Macaé. O estudo, publicado na revista internacional PeerJ, traz avanços na criação desses insetos em laboratório e amplia as possibilidades de investigação sobre sua biologia e importância ambiental.
Os simulídeos vivem em ambientes de água corrente e são considerados bioindicadores da qualidade da água, ou seja, sua presença pode indicar condições de preservação ou degradação ambiental. Ao mesmo tempo, algumas espécies podem atuar como vetores de parasitos que afetam seres humanos e animais, o que também lhes confere relevância para a saúde pública e a medicina veterinária.
Apesar dessa importância, a criação desses insetos em ambiente controlado ainda é um desafio para pesquisadores, já que dependem de condições muito específicas para completar seu ciclo de vida, como água corrente, oxigenação adequada, temperatura controlada e substratos apropriados.
O estudo desenvolvido pelo NUPEM/UFRJ apresenta protocolos que ajudam a superar essas dificuldades, permitindo o cultivo em laboratório e ampliando as possibilidades de pesquisa sobre ecologia, desenvolvimento, evolução e monitoramento ambiental.
A pesquisa também se destaca pela participação do estudante de Ciências Biológicas Ruan Guimarães, integrante do Nunes-da-Fonseca Lab. Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ele contribuiu diretamente para o trabalho, em uma experiência que reforça a importância de ambientes acadêmicos inclusivos.
Para o pesquisador, a publicação representa um marco na trajetória acadêmica. “Foi um trabalho que exigiu dedicação e muita observação. Aprendi bastante durante todo o processo e fico feliz em contribuir para uma área que ainda apresenta muitos desafios e oportunidades de descoberta. Ver os resultados publicados em uma revista internacional é uma conquista importante e um incentivo para continuar fazendo ciência”, afirmou.
O coordenador do Nunes-da-Fonseca Lab, Rodrigo Nunes da Fonseca, destaca que o estudo também evidencia o papel da universidade na formação científica. “A universidade tem a responsabilidade de criar condições para que diferentes estudantes possam desenvolver seu potencial. O trabalho do Ruan demonstra como oportunidades, orientação e participação efetiva na pesquisa contribuem para a formação de novos cientistas e para o fortalecimento da produção científica”, disse.
O Nunes-da-Fonseca Lab integra o Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (NUPEM/UFRJ), em Macaé, e desenvolve pesquisas em biologia evolutiva, genômica e biodiversidade, contribuindo para o avanço do conhecimento científico e a conservação da biodiversidade brasileira.












