GIRO RIO DAS OSTRAS – Com o super El Niño chegando e podendo influenciar o padrão das chuvas, a estrutura de drenagem volta a ganhar atenção em Rio das Ostras. O município possui histórico de alagamentos constantes em diferentes bairros, inclusive durante episódios de chuva que não necessariamente apresentam grandes volumes. São pontos já conhecidos pelos moradores, que acompanham de perto os transtornos provocados sempre que a água sobe.
Buscando amenizar esses impactos, a equipe de Engenharia da Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas realizou, neste início de setembro, uma avaliação do sistema de macrodrenagem do município. O trabalho considera as diferentes bacias hidrográficas e os pontos de deságue, além de redes, canais, galerias e outras estruturas que fazem parte do sistema.
Segundo a Prefeitura, o objetivo é identificar os locais que precisam de manutenção ou de intervenções mais estruturais e, a partir desse levantamento, estabelecer prioridades para a elaboração de novos projetos.
A Prefeitura, no entanto, ainda não divulgou o resultado dessa avaliação. Não foram informados quais pontos foram identificados como prioritários, quais locais poderão receber intervenções ou se os moradores que convivem com o problema foram ouvidos durante o diagnóstico.
A situação ganha importância em bairros onde os alagamentos já são recorrentes. Em muitos casos, moradores relatam que não recebem assistência quando as ruas ficam tomadas pela água e que são orientados pelos órgãos responsáveis a aguardar o escoamento natural.
Um dos exemplos é o Canal (Valão) de Medeiros, que recebe esgoto in natura e transborda durante períodos de chuva, atingindo áreas dos bairros Extensão do Bosque, Recanto, Serramar, entre outros. A situação provoca transtornos para quem vive ou circula nessas regiões e expõe os moradores ao contato com água contaminada pelo esgoto do próprio valão.
E o problema não termina necessariamente quando a água baixa. Nas ruas de terra, o excesso de água deixa o solo enlameado, favorece o surgimento das chamadas “costelas de vaca”, como são conhecidas as ondulações formadas no terreno, e os trechos mais baixos funcionam como verdadeiras bacias de acumulação, intransitáveis por dias. Já nas vias pavimentadas, os buracos podem aparecer ou aumentar após os alagamentos.
São situações que reforçam a importância de considerar não apenas a estrutura física da macrodrenagem, mas também a realidade enfrentada nos bairros. Os moradores conhecem os pontos críticos e podem contribuir com informações sobre locais onde os problemas se repetem, inclusive aqueles que continuam apresentando consequências mesmo depois que a água baixa.
Ainda não foi informado se essas informações da população fizeram parte do levantamento realizado pela equipe técnica.
Mas com o diagnóstico, a expectativa é que os pontos críticos possam ser identificados e incluídos no planejamento das próximas ações. Para a população, fica a expectativa de que o levantamento ajude a transformar problemas antigos em prioridades de manutenção e infraestrutura.
A proposta também prevê uma atuação integrada com a Secretaria de Serviços Públicos. As informações levantadas no diagnóstico deverão servir de apoio ao Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) nas ações de manutenção do sistema.
Segundo o secretário de Infraestrutura e Obras Públicas, Wayner Fajardo, o levantamento permitirá direcionar os investimentos e as ações de acordo com as características de cada região.
“Esse planejamento é fundamental para melhorar a eficiência do sistema de macrodrenagem do Município. A partir do diagnóstico, poderemos definir prioridades e direcionar as próximas ações de forma mais planejada, considerando as características e necessidades de cada região”, destacou.
A expectativa dos moradores é que o diagnóstico não apenas identifique os pontos críticos, mas também ajude a definir medidas mais definitivas, capazes de evitar que, a cada chuva, as mesmas áreas voltem a enfrentar os mesmos transtornos.













