GIRO RJ – A eleição para o governo do Rio de Janeiro terminou o primeiro turno sem uma definição sobre o resultado. No centro da disputa estão os 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), que podem alterar a situação entre Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD).
Garotinho teve a candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral, mas seus votos foram contabilizados no primeiro turno. Depois da votação, a defesa apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido para desistir do recurso que discutia o registro da candidatura.
A movimentação provocou uma nova disputa judicial. O PSOL-RJ recorreu ao TSE para contestar a desistência e defende que os votos de Garotinho sejam considerados enquanto a Justiça Eleitoral não concluir a análise do caso.
A diferença é relevante porque Douglas Ruas terminou o primeiro turno com 49,27% dos votos válidos, enquanto Eduardo Paes alcançou 42,76%. Com os votos de Garotinho mantidos na totalização, a eleição segue para uma nova etapa entre os dois candidatos.
Caso os votos de Garotinho sejam retirados da totalização, porém, a matemática da disputa muda. A possibilidade de Ruas ultrapassar a marca de 50% dos votos válidos e ser considerado eleito ainda no primeiro turno está justamente no centro da discussão jurídica.
O PSOL argumenta que a definição não pode depender apenas da decisão de desistir do processo tomada pela defesa de Garotinho depois da votação. Para o partido, cabe à Justiça Eleitoral analisar o caso e estabelecer os efeitos dos votos sobre o resultado do pleito.
“O ideal dessa situação era o julgamento ter se concluído antes da votação. Como ele se concluiu depois, não pode um candidato que conversou com o outro, que se acertou, retirar o recurso para interferir diretamente no processo eleitoral. A Justiça tem que julgar, analisar, e entendemos que é importante garantir o direito ao 2º turno para a população”, disse o presidente estadual do PSOL, deputado Flávio Serafini.
Ministério Público Eleitoral se manifesta
Enquanto o PSOL tenta manter os votos na totalização, o Ministério Público Eleitoral apresentou nesta terça-feira (6) parecer favorável à desistência do recurso de Garotinho. A manifestação ainda não encerra a questão, já que cabe ao TSE analisar o pedido e definir seus efeitos.
A decisão da Corte deverá esclarecer o destino dos 274.411 votos e, a partir disso, a própria configuração da disputa pelo governo do estado.
Até que o TSE se manifeste, Douglas Ruas e Eduardo Paes permanecem no centro da disputa pelo segundo turno, enquanto a Justiça Eleitoral define como os votos de Garotinho devem ser tratados.
O governador em exercício, Ricardo Couto, já se colocou à disposição de Douglas Ruas para iniciar o processo de transição assim que a Justiça Eleitoral definir sobre as eleições a governador do Rio de Janeiro.





