GIRO ARRAIAL – Uma polêmica envolvendo um conselheiro tutelar e líderes religiosos movimentou Arraial do Cabo nos últimos dias. O caso ganhou repercussão após uma mensagem publicada nas redes sociais pelo representante do Conselho Tutelar ser interpretada por parte da comunidade religiosa como um ataque às igrejas, provocando uma nota pública de repúdio e, posteriormente, um pedido de desculpas do próprio autor.
No centro da controvérsia está a frase “Vamos acabar com as igrejas, pelo bem de nossas crianças!”, utilizada pelo conselheiro em uma publicação que buscava discconselho tutelarutir casos de violência sexual envolvendo líderes religiosos e a forma como instituições são responsabilizadas quando crimes são cometidos por alguns de seus integrantes.
A manifestação provocou reação imediata do Conselho de Ministros e Pastores Evangélicos de Arraial do Cabo (Compeac). Em nota, a entidade afirmou que a mensagem atingiu não apenas instituições religiosas, mas também milhares de fiéis e pastores que desenvolvem trabalhos sociais, educativos e de acolhimento de crianças e adolescentes.
Os líderes religiosos ressaltaram que repudiam qualquer crime cometido contra menores, mas classificaram a publicação como inadequada, principalmente por ter sido feita por um agente público eleito para atuar na defesa dos direitos da infância. O grupo também questionou as informações utilizadas na mensagem e cobrou responsabilidade ao tratar de um tema tão sensível.
Diante da repercussão, o conselheiro divulgou uma retratação. Segundo ele, a frase foi utilizada de forma irônica e tinha como objetivo provocar uma reflexão sobre a generalização de responsabilizar instituições inteiras pelos atos criminosos praticados por alguns de seus membros.
O conselheiro afirmou que jamais defendeu o fechamento de igrejas ou teve a intenção de desrespeitar a fé cristã. Ainda de acordo com a nota, o propósito era reforçar que crianças precisam ser protegidas em todos os espaços de convivência, como residências, escolas, instituições religiosas, projetos sociais, clubes e atividades esportivas.
Na retratação, ele reconheceu que a forma escolhida para transmitir a mensagem permitiu interpretações diferentes daquelas que pretendia provocar e pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas.
O episódio dividiu opiniões nas redes sociais. Enquanto alguns internautas defenderam a crítica como uma forma de chamar atenção para a proteção da infância, outros entenderam que a mensagem generalizou uma realidade e acabou atingindo instituições religiosas que desempenham um importante papel social no município.
A discussão também trouxe à tona o debate sobre os limites da liberdade de expressão de agentes públicos e o impacto que manifestações pessoais podem causar quando partem de representantes que exercem funções diretamente ligadas à proteção da população.












