GIRO NA ECONOMIA – O Brasil chega a mais um período eleitoral em um cenário de forte turbulência política e econômica. Em anos de eleição presidencial, é comum que empresas e investidores adotem uma postura mais cautelosa, especialmente a partir do segundo semestre, reduzindo investimentos, compras e novos negócios diante das incertezas sobre os rumos do país.
O que chama atenção agora é a combinação desse ambiente tradicionalmente mais cauteloso com outros problemas econômicos e institucionais. O Congresso vive um cenário de divisão, enquanto pautas importantes para a economia acabam sendo influenciadas pelo calendário eleitoral. Muitos parlamentares estão em campanha pela reeleição ou apoiando candidatos, o que aumenta a preocupação com os efeitos políticos de determinadas votações.
Na avaliação apresentada, esse ambiente também abre espaço para pautas que não contribuem diretamente para o desenvolvimento econômico. A instabilidade não fica restrita ao Legislativo.
A essa combinação, soma-se uma crise de confiança em relação ao Judiciário. O sistema democrático brasileiro é estruturado em três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Existe ainda a ideia de um quarto poder, com função de equilíbrio entre os demais. Esse modelo, segundo a explicação, estaria presente em sistemas parlamentaristas e teria como objetivo atuar como uma espécie de poder balizador diante de conflitos institucionais.
No Brasil, essa função acabou, sendo exercida pelo próprio Judiciário. Daí vem a expressão utilizada por ministros de que o Judiciário seria o “último” a decidir em determinadas disputas entre os Poderes.
A análise sustenta que essa concentração de atribuições contribuiu para uma perda de referência institucional e para questionamentos sobre a atuação do Judiciário.
O caso envolvendo o Banco Master e Vorcaro é citado como um episódio que teria ampliado essas discussões e levantado questionamentos sobre relações entre política e Judiciário. Na avaliação apresentada, o episódio teria provocado danos à imagem da instituição e aumentado a percepção de que seria necessária uma mudança profunda no funcionamento do Judiciário.
Esse cenário também teria reflexos econômicos justamente por ampliar a instabilidade em um período que, por natureza, já é marcado pela cautela.
E as empresas ainda enfrentam juros elevados, inflação e aumento de custos. A taxa básica de juros pressiona desde pequenos negócios até grandes companhias, encarece dívidas e reduz a capacidade de investimento. O aumento das recuperações judiciais é apontado como um dos sinais dessa dificuldade.
A pressão vem de vários lados: custo de insumos, salários, benefícios e impostos maiores. Muitas empresas passaram a operar com pouca margem para absorver novos custos, enquanto outras enfrentam dificuldades até para manter compromissos básicos.
Como se não bastasse, 2026 marca o início da transição para o novo sistema tributário. IBS e CBS já estão em fase de teste neste ano, com a transição do modelo atual prevista para ocorrer gradualmente até 2033. A Receita Federal estabeleceu novas obrigações e cronogramas para a adaptação das empresas.
Para os empresários, a mudança representa mais uma variável em um ambiente já marcado por incertezas. A preocupação está principalmente nos pequenos e médios negócios, que possuem menos espaço financeiro para absorver custos de adaptação enquanto o novo sistema entra em funcionamento.
O resultado é um cenário em que empresas precisam tomar decisões importantes justamente quando a previsibilidade diminui. Eleições, instabilidade entre os Poderes, juros elevados, inflação, aumento de custos e mudança no sistema tributário formam um conjunto de fatores que reforça a cautela do setor produtivo.
A questão, neste momento, não é apenas quanto custa operar no Brasil, mas quanto de incerteza uma empresa consegue suportar antes de deixar de investir, contratar ou até mesmo permanecer no país.














