GIRO NA ECONOMIA – O Brasil chega a mais um período eleitoral em um cenário de forte turbulência política e econômica. Em anos de eleição presidencial, é comum que empresas e investidores adotem uma postura mais cautelosa, especialmente a partir do segundo semestre, reduzindo investimentos, compras e novos negócios diante das incertezas sobre os rumos do país.
O que chama atenção agora é a combinação desse ambiente tradicionalmente mais cauteloso com outros problemas econômicos e institucionais. O Congresso vive um cenário de divisão, enquanto pautas importantes para a economia acabam sendo influenciadas pelo calendário eleitoral. Muitos parlamentares estão em campanha pela reeleição ou apoiando candidatos, o que aumenta a preocupação com os efeitos políticos de determinadas votações.
Na avaliação apresentada, esse ambiente também abre espaço para pautas que não contribuem diretamente para o desenvolvimento econômico. Entre os exemplos citados estão discussões relacionadas à misoginia e à aplicação da Lei Maria da Penha em situações que ultrapassariam as relações íntimas. A preocupação é que esse ambiente gere insegurança para empresas e dificulte contratações, especialmente de mulheres.
A instabilidade não fica restrita ao Legislativo. O Judiciário também passou a ocupar um espaço maior nas disputas entre os Poderes. A avaliação é de que, diante da ausência de um quarto poder com função de equilíbrio, o Judiciário acabou assumindo esse papel em determinadas situações.
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Esse cenário já vinha alimentando questionamentos sobre decisões consideradas de possível viés político e, mais recentemente, o caso envolvendo o Banco Master e Vorcaro ampliou as discussões sobre as relações entre política e Judiciário. Na avaliação apresentada, a crise de confiança contribui para aumentar a instabilidade justamente em um momento delicado para a economia.
E as empresas ainda enfrentam juros elevados, inflação e aumento de custos. A taxa básica de juros pressiona desde pequenos negócios até grandes companhias, encarece dívidas e reduz a capacidade de investimento. O aumento das recuperações judiciais é apontado como um dos sinais dessa dificuldade.
A pressão vem de vários lados: custo de insumos, salários, benefícios e impostos maiores. Muitas empresas passaram a operar com pouca margem para absorver novos custos, enquanto outras enfrentam dificuldades até para manter compromissos básicos.
Como se não bastasse, 2026 marca o início da transição para o novo sistema tributário. IBS e CBS já estão em fase de teste neste ano, com a transição do modelo atual prevista para ocorrer gradualmente até 2033. A Receita Federal estabeleceu novas obrigações e cronogramas para a adaptação das empresas.
Para os empresários, a mudança representa mais uma variável em um ambiente já marcado por incertezas. A preocupação está principalmente nos pequenos e médios negócios, que possuem menos espaço financeiro para absorver custos de adaptação enquanto o novo sistema entra em funcionamento.
O resultado é um cenário em que empresas precisam tomar decisões importantes justamente quando a previsibilidade diminui. Eleições, instabilidade entre os Poderes, juros elevados, inflação, aumento de custos e mudança no sistema tributário formam um conjunto de fatores que reforça a cautela do setor produtivo.
A questão, neste momento, não é apenas quanto custa operar no Brasil, mas quanto de incerteza uma empresa consegue suportar antes de deixar de investir, contratar ou até mesmo permanecer no país.













