GIRO NA PSICOPEDAGOGIA – Hoje em dia, é impossível falar de infância sem falar de telas. Celulares, tablets, computadores e até a televisão fazem parte da rotina das crianças desde muito cedo. Elas assistem, jogam, deslizam o dedo na tela com uma facilidade impressionante e, muitas vezes, passam horas imersas nesse universo digital. Diante disso, surge uma inquietação cada vez mais presente no cotidiano escolar: como esse uso constante das telas tem impactado a aprendizagem?
Na prática, o que se percebe é que muitas crianças chegam à escola já acostumadas com estímulos rápidos, coloridos e imediatos. Tudo acontece em segundos. Um vídeo curto, um jogo dinâmico, uma recompensa instantânea. Quando se deparam com atividades que exigem mais tempo, como ler um texto, escrever ou resolver um problema, o interesse diminui rapidamente. A concentração parece mais frágil, e a necessidade de estímulo constante fica evidente.
Essa realidade nos convida a refletir sobre como as crianças estão aprendendo e, principalmente, sobre como estão se relacionando com o aprender. Aprender exige tempo, esforço, tentativa, erro, frustração — elementos que nem sempre estão presentes no ambiente digital. Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de reconhecer que o excesso pode trazer impactos importantes, especialmente no desenvolvimento da atenção, da persistência e da autonomia.
Ao mesmo tempo, também é possível perceber que, quando bem utilizadas, as tecnologias podem ser grandes aliadas. Atividades interativas, jogos educativos e recursos digitais podem despertar o interesse e aproximar o conteúdo da realidade dos alunos. O desafio, então, não está em eliminar as telas, mas em encontrar um equilíbrio. Um uso que faça sentido, que contribua, e não que substitua experiências fundamentais para o desenvolvimento.
Nesse contexto, o papel da escola e do olhar psicopedagógico se torna ainda mais essencial. É preciso observar, compreender e adaptar. Criar estratégias que dialoguem com esse novo perfil de aluno, sem abrir mão de estimular habilidades como atenção, concentração e pensamento crítico. Também é importante envolver as famílias nessa reflexão, pois o uso das telas não acontece apenas na escola, mas principalmente fora dela.
Talvez a grande questão não seja “quanto tempo” a criança passa nas telas, mas “como” esse tempo está sendo vivido. O equilíbrio entre o digital e o real, entre o rápido e o profundo, entre o estímulo imediato e o processo de construção, parece ser um caminho importante. E é nesse equilíbrio que a aprendizagem pode se tornar mais significativa, mais humana e mais completa.
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