GIRO ENTREVISTA – Recém-nomeado para comandar a secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Rio das Ostras, Pablo Kling chega ao cargo trazendo na bagagem experiência na gestão e na promoção do turismo. Antes de assumir o novo desafio no município, ele esteve à frente da secretaria de Turismo de Petrópolis e também atuou como diretor de Marketing da TurisRio, contribuindo para a divulgação de destinos turísticos em todo o estado do Rio de Janeiro.
Apesar da trajetória profissional em diferentes destinos, a relação com Rio das Ostras não é recente. Kling conta que já morou por um período na cidade e que seus pais vivem no município há cerca de 18 anos — o que fez com que ele frequentasse o local com bastante frequência ao longo desse tempo.
Em um bate-papo com o Portal GIRO Costa do Sol, o secretário falou sobre planejamento, qualificação profissional, infraestrutura e os desafios de fortalecer o turismo como motor de desenvolvimento econômico do município.
GIRO COSTA DO SOL – Você chega agora para comandar a Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Rio das Ostras. Qual é a primeira leitura que faz do potencial turístico da cidade?
Pablo Kling: O potencial turístico de Rio das Ostras é imenso e já é um destino consolidado de sol e praia, que atrai muitos visitantes principalmente durante a alta temporada e também em períodos dos eventos consolidados, que movimentam bastante a cidade.
Mas o potencial da cidade não se limita apenas ao litoral. Rio das Ostras também possui um lado rural muito interessante, com áreas que podem ser trabalhadas dentro do turismo rural e de experiências ligadas à natureza, ampliando as possibilidades de visitação e ajudando a atrair turistas durante todo o ano.
A ideia é justamente trabalhar esse planejamento para diversificar a oferta turística do município, fortalecendo o que já é consolidado, como o turismo de sol e praia, e ao mesmo tempo desenvolvendo novos produtos turísticos.
GIRO COSTA DO SOL – Muitas vezes o turismo é visto apenas pelos números, como taxa de ocupação. Mas, na sua visão, qual é o verdadeiro impacto do turismo para a cidade e para as pessoas que vivem dela?
Pablo: Quando falamos de turismo, muitas pessoas pensam apenas em números, como ocupação hoteleira, reservas em restaurantes ou quantidade de passageiros transportados. Mas o turismo vai muito além disso.
O turismo é sobre pessoas. Estamos falando da camareira que leva sustento para casa, do chef de cozinha, do garçom, do guia de turismo, do artesão e do micro e pequeno empreendedor que muitas vezes investiu tudo em um negócio ligado a essa atividade.
Por isso, antes de falar de estatísticas ou de atrativos turísticos, precisamos falar de pessoas — cidadãos da própria cidade que fazem parte dessa cadeia produtiva e que dependem do turismo para gerar renda, emprego e qualidade de vida.
E, dentro desse processo, a qualificação profissional é fundamental. Quanto mais preparada estiver a mão de obra local, seja em atendimento, idiomas ou capacitação técnica, melhor será a experiência de quem visita a cidade. Isso fortalece o destino turístico e também cria mais oportunidades de crescimento e renda para quem vive e trabalha em Rio das Ostras.
GIRO COSTA DO SOL – Sua trajetória passa por destinos serranos, como Petrópolis, e também por projetos de promoção do turismo em todo o estado. O que dessa experiência pode ser aplicado em uma cidade litorânea como Rio das Ostras?
Pablo: Tudo. As experiências acumuladas ao longo dos anos podem ser aplicadas aqui, principalmente quando falamos de planejamento turístico.
Rio das Ostras tem um grande potencial como destino de sol e praia, mas é fundamental que esse potencial seja trabalhado de forma planejada. O turismo não pode depender apenas dos dias de sol ou de momentos pontuais da alta temporada.
É preciso pensar a cidade de forma estratégica: entender a capacidade de receber visitantes, estruturar melhor os atrativos e diversificar as experiências para quem chega ao município. Por exemplo, precisamos pensar no que o turista pode fazer na cidade em dias de chuva ou fora da alta temporada.
Dentro do turismo também existe uma diferença importante entre visitante e turista. O visitante é aquele que chega pela manhã e vai embora no final da tarde. Já o turista permanece pelo menos uma noite na cidade. Nosso objetivo é aumentar o número de turistas, porque o impacto econômico que eles deixam na cidade é muito maior. Também é importante trabalhar com planejamento para que esse fluxo de visitantes contribua de forma positiva para o desenvolvimento da cidade e para a geração de oportunidades.
GIRO COSTA DO SOL – O turismo também depende muito da infraestrutura da cidade. Como a secretaria pretende atuar junto com outras áreas da prefeitura para melhorar essa estrutura?
Pablo: O turismo é uma das áreas mais complexas da gestão pública justamente porque depende de várias outras secretarias para funcionar bem. Para que o turismo aconteça, é preciso infraestrutura: limpeza urbana, trânsito organizado, segurança, sinalização, mobilidade, entre outros serviços.
Costumo dizer que a secretaria de Turismo funciona como um maestro de uma orquestra. O maestro não toca os instrumentos, mas coordena os músicos para que todos toquem em harmonia. Na gestão pública acontece algo parecido.
Cada secretaria tem sua função específica, mas o turismo precisa dialogar com todas elas para que a cidade funcione bem tanto para quem mora quanto para quem visita. Quando a cidade é bem estruturada para o morador, automaticamente ela também se torna mais atrativa para o turista. Por isso, o trabalho da secretaria é ajudar a organizar esse ecossistema, articulando as áreas da prefeitura e também a iniciativa privada para que o desenvolvimento turístico aconteça de forma planejada.
GIRO COSTA DO SOL – Quais devem ser as primeiras prioridades da sua gestão nos próximos meses à frente da secretaria?
Pablo: A primeira prioridade é estruturar o planejamento do turismo da cidade. Vamos trabalhar junto com o Conselho Municipal de Turismo para discutir projetos e estratégias que definam o desenvolvimento do setor. A participação da sociedade civil nesse processo é fundamental.
Também queremos retomar a presença de Rio das Ostras em feiras e eventos de promoção turística, para divulgar o destino e atrair novos visitantes. Outro ponto importante é investir na qualificação da mão de obra local, com cursos de atendimento e idiomas, para que possamos receber cada vez melhor quem visita a cidade.
Além disso, precisamos entender com clareza a capacidade que o município tem de receber turistas. É importante que o turismo cresça, mas esse crescimento precisa acontecer de forma organizada, sustentável, sem comprometer a infraestrutura da cidade e a qualidade de vida de quem mora aqui.
Quando um evento ou uma grande movimentação turística traz um número de pessoas muito maior do que o município consegue suportar, isso pode gerar impactos negativos. Por isso, o desafio é encontrar um equilíbrio, para que o turismo gere desenvolvimento econômico, movimentando o comércio, os serviços e os empregos, mas sempre respeitando os limites e as necessidades da própria cidade. Assim, o turismo passa a ser visto de forma positiva pela população, trazendo benefícios sem causar transtornos para quem mora aqui.
GIRO COSTA DO SOL – Quais estratégias podem ajudar a atrair mais visitantes para Rio das Ostras ao longo do ano, além da alta temporada?
Pablo: Uma das formas de atrair mais visitantes ao longo do ano é diversificar o que a cidade tem a oferecer para quem chega aqui. Os eventos têm um papel importante nesse processo e funcionam como uma porta de entrada para o destino. Muitas vezes o visitante vem para um festival ou uma programação específica, conhece Rio das Ostras e acaba retornando em outras oportunidades.
Ao mesmo tempo, precisamos ampliar as experiências que o município pode oferecer. Além das praias, é possível fortalecer atividades como passeios de barco, mergulho, turismo rural em áreas mais afastadas, além de experiências ligadas à natureza e ao turismo de aventura, como o voo de paramotor.
Outro ponto fundamental é o trabalho de promoção do destino. Precisamos fortalecer a presença de Rio das Ostras em feiras e eventos do setor, e desenvolver ações em parceria com a secretaria de Estado de Turismo e com a TurisRio, ampliando a divulgação da cidade dentro das campanhas de promoção do turismo do estado do Rio de Janeiro.
Também é importante olhar para mercados que já têm tradição de visitar o estado, como o público argentino, que representa um fluxo significativo de turistas para o Rio de Janeiro e para cidades aqui da nossa região. Com um trabalho de divulgação mais direcionado, podemos posicionar melhor Rio das Ostras nesses mercados e estimular o turismo durante todo o ano.
GIRO COSTA DO SOL – E para terminar, o que a população pode esperar da sua gestão à frente da secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico?
Pablo: A população pode esperar dedicação total. O trabalho é intenso porque o objetivo é colaborar para o desenvolvimento da cidade. Queremos que Rio das Ostras cresça cada vez mais forte, mas de forma planejada e sustentável, gerando oportunidades para quem vive aqui.
Só tem um horário que eu não gosto de trabalhar: na hora do jogo do Flamengo. Tirando isso, estou totalmente dedicado ao desenvolvimento econômico e ao turismo do município.






