GIRO RJ – Depois de não prever o vendaval que atingiu o estado Rio de Janeiro no dia 29 de julho, com antecedência, emitir diversos alertas para a possibilidade de novos ventos fortes e até provocar mudança na rotina e a adoção de ponto facultativo no dia 7 de agosto, em todo o estado, a Prefeitura do Rio optou por uma velha conhecida quando o assunto é clima: a Fundação Cacique Cobra Coral.
O detalhe é que o vendaval do dia 29 chegou sem que a população tivesse recebido um alerta específico para a intensidade dos ventos registrados. Os fortes ventos surpreenderam moradores e deixaram um rastro de tragédia, com óbitos e muita destruição. Nos dias seguintes, porém, o cenário mudou completamente: os alertas começaram a se multiplicar e a previsão de um novo vendaval passou a ocupar o noticiário e a rotina da população.
Para o dia 7 de agosto, a expectativa foi elevada. A possibilidade de ventos muito fortes levou à adoção de medidas preventivas, incluindo ponto facultativo. O que se viu, entretanto, em boa parte do estado, foi um cenário bem diferente do esperado.
O vendaval não aconteceu na intensidade anunciada em grande parte do Rio. A Costa Verde chegou a registrar ventos fortes, mas o fenômeno não atingiu boa parte do estado com a força que havia provocado tanta preocupação.
A situação acabou expondo uma diferença difícil de ignorar: quando o vento realmente chegou, não havia um alerta proporcional ao que estava acontecendo; depois, quando os alertas vieram em série, o vendaval esperado não apareceu como anunciado.
E o que começou com medo e apreensão terminou em meme.
Nas redes sociais, internautas passaram a brincar com a sequência de previsões. A situação ganhou uma espécie de regra própria: “quando não avisa, vem; quando avisa, não vem.”
A brincadeira se espalhou justamente porque, depois do susto provocado pelo vendaval de 29 de julho, qualquer novo alerta passou a ser recebido com atenção redobrada — e, depois do dia 7, também com uma boa dose de ironia.
E assim Prefeitura do Rio retoma oficialmente a parceria com a Fundação Cacique Cobra Coral. O acordo foi publicado no Diário Oficial do Município nesta quinta-feira (6) e terá validade de 25 anos, até 2051. A parceria foi firmada por meio da Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro (Geo-Rio).
Segundo o documento, o objetivo é promover o intercâmbio e a difusão de informações entre as partes, possibilitando a prestação de assistência técnica meteorológica.
A retomada do convênio ganha ainda mais curiosidade pelo momento em que acontece. Depois de uma semana em que os alertas meteorológicos provocaram apreensão, alteraram a rotina e chegaram a resultar em ponto facultativo, a Prefeitura volta a contar com uma entidade que afirma atuar justamente sobre questões relacionadas ao clima.
A parceria, porém, não surgiu agora. O município já havia mantido um acordo com a Fundação Cacique Cobra Coral, encerrado em 2017, e a nova assinatura representa a retomada dessa cooperação.
A situação não significa que a Fundação Cacique Cobra Coral seja responsável pelas previsões oficiais ou que tenha substituído os órgãos de meteorologia. Mas o momento da retomada da parceria certamente ajuda a alimentar a ironia nas redes sociais.
Afinal, o carioca e fluminense passou por uma semana em que primeiro veio o vento sem o aviso esperado, depois vieram os avisos — e o vento não apareceu como anunciado.
Apesar do prazo de 25 anos, o acordo não prevê pagamento da Prefeitura à Fundação Cacique Cobra Coral. O termo é classificado como não oneroso, sem transferência de recursos financeiros entre as partes.
O último convênio entre o município e a entidade havia terminado em 2017. A parceria anterior foi firmada em 2013, com duração de quatro anos.
Fundação afirma atuar sobre o clima
A Fundação Cacique Cobra Coral afirma ter como missão atuar sobre desequilíbrios da natureza provocados pela ação humana. A entidade é liderada pela médium Adelaide Scritori e sustenta que o espírito do Cacique Cobra Coral teria capacidade de influenciar fenômenos climáticos.
A instituição afirma já ter prestado assistência a governos e administrações públicas e informa que suas atividades são realizadas por voluntários.
Enquanto os órgãos oficiais continuam responsáveis pelo monitoramento e pela emissão dos alertas meteorológicos.
Agora, com um convênio que vai até 2051, fica a expectativa para os próximos capítulos: será que o próximo vendaval será previsto antes de chegar ou a previsão continuará afastando o vento? A segunda opção sempre será a mais desejada, que a cada anúncio o vento se afaste mais.












