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Home Cidades Casimiro de Abreu

Casimiro de Abreu completa 167 anos: Lelei da Marmoraria fala sobre os desafios do município e futuro político

Redação by Redação
08/09/2026
in Casimiro de Abreu, Entrevista
Reading Time: 11 mins read
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Casimiro de Abreu completa 167 anos: Lelei da Marmoraria fala sobre os desafios do município e futuro político

Divulgação

GIRO ENTREVISTA – No mês em que Casimiro de Abreu completa 167 anos de emancipação político-administrativa, o GIRO Costa do Sol conversou com o vereador Lelei da Marmoraria. Em uma entrevista marcada por avaliações sobre o momento vivido pelo município, o parlamentar falou sobre investimentos, contratos públicos, fiscalização, atuação do Ministério Público, festas, turismo, agricultura, integração entre as localidades e também sobre seu posicionamento político para os próximos anos.

GIRO – Casimiro de Abreu completa 167 anos de emancipação político-administrativa. Na sua avaliação, o município chega a esse aniversário com motivos para comemorar? Como o senhor vê o caminho que Casimiro vem percorrendo e quais são os principais desafios para o futuro?

Lelei da Marmoraria: Casimiro de Abreu tem muito a comemorar. É um município com uma história muito importante, um potencial enorme na agricultura, no turismo e na economia. Temos serra e mar, temos Barra de São João, temos natureza, história e uma população que trabalha e acredita na cidade.

Mas também precisamos reconhecer que Casimiro ainda está muito abaixo do potencial que possui. O município tem uma arrecadação próxima de R$ 700 milhões e precisamos discutir de que forma esse dinheiro está chegando à população, em obras, infraestrutura, saúde, educação e apoio ao produtor rural.

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Casimiro precisa de planejamento. Precisamos fortalecer a agricultura, desenvolver o turismo durante todo o ano, atrair empresas, gerar empregos e integrar melhor todas as localidades. Temos condições de fazer muito mais.

 

GIRO – O senhor conhece o atual governo de perto, já que foi vice-prefeito de Ramon Gidalte e, posteriormente, como vereador, integrou a base do governo na Câmara. Em que momento aconteceu a ruptura e o que levou o senhor a passar de aliado a opositor do governo?

Lelei da Marmoraria: Eu conheço o governo de perto porque participei da administração como vice-prefeito do Ramon Gidalte. Depois, já como vereador, também fiz parte da base do governo na Câmara. Eu tinha divergências, fazia minhas cobranças, mas existia diálogo. Eu conseguia conversar com o prefeito e apresentar aquilo que entendia que precisava ser feito.

A minha ruptura aconteceu principalmente por causa da questão do IPREV. Foi um momento em que eu precisei tomar uma posição. Eu entendi que a proposta prejudicava os servidores públicos e que eu não poderia votar contra eles. Na minha avaliação, a mudança aumentaria o tempo necessário para aposentadoria e traria um impacto muito grande para os servidores.

Eu preferi ficar ao lado do servidor, mesmo sabendo que aquela decisão poderia me tirar da base do governo na Câmara. E foi o que aconteceu. A partir daquele momento, passei a fazer oposição.

Mas quero deixar claro que fazer oposição não significa ser contra Casimiro de Abreu. Eu sou contra aquilo que considero errado e vou continuar cobrando, fiscalizando e defendendo aquilo que acredito que seja melhor para a população.

 

GIRO – O Ministério Público tem tido uma atuação frequente em Casimiro de Abreu, com visitas ao município, solicitações de informações, recomendações e questionamentos relacionados a pagamentos e contratos públicos. Na sua avaliação, o que essa atuação representa para a gestão municipal?

Lelei da Marmoraria: I São várias situações envolvendo contratos, pagamentos, pedidos de informação e recomendações. Eu acho que isso deveria servir de alerta para o governo.

Não estou dizendo que toda atuação do Ministério Público significa que exista uma irregularidade, porque cabe ao próprio órgão analisar cada caso. Mas, se estão sendo feitos questionamentos, é porque existem pontos que precisam ser esclarecidos.

E a melhor resposta é transparência. O que não pode é a população ficar sem saber o que está acontecendo com o dinheiro público. Como vereador, vou continuar acompanhando e cobrando esses esclarecimentos.

 

GIRO – O senhor vem apresentando denúncias e questionamentos sobre a gestão municipal. Quais considera hoje os casos mais graves e o que já foi efetivamente comprovado ou encaminhado para apuração?

Lelei da Marmoraria: Desde 2024, venho acompanhando contratos e outras questões da administração e eu venho analisando contratos, valores e algumas situações que considero suspeitas, algumas delas muito suspeitas. Quando encontro algo que precisa ser esclarecido, procuro reunir a documentação e encaminhar para os órgãos competentes, inclusive ao Ministério Público.

Não estou aqui dizendo que alguém é culpado. O meu papel é fiscalizar e mostrar aquilo que encontrei para que seja apurado. Existem situações que precisam de explicação e é isso que estou buscando.

 O vereador tem o dever de fiscalizar. Se existe alguma dúvida sobre um contrato, um pagamento ou um serviço, precisamos buscar as informações e encaminhar para quem tem competência para investigar e concluir.

 

GIRO – Como a Prefeitura tem respondido às denúncias e aos pedidos de esclarecimento apresentados pelo senhor?

Lelei da Marmoraria: Muitas vezes não responde e é preciso insistir para conseguir informações. O vereador tem o direito e o dever de fiscalizar, e para isso precisa ter acesso aos dados da administração.

Eu quero saber onde o dinheiro público está sendo aplicado, quem está recebendo, qual serviço está sendo prestado e qual benefício está chegando à população. Se o contrato está correto, se o serviço foi realizado, então que isso seja apresentado e esclarecido.

Não estou dizendo que tudo está errado. Estou dizendo que tudo precisa ser transparente. A população tem o direito de saber como o dinheiro público está sendo utilizado.

 

GIRO – Quais áreas da administração municipal mais preocupam o senhor atualmente e onde acredita que a população está sendo mais prejudicada?

Lelei da Marmoraria: As obras são uma das áreas que mais me preocupam. A população precisa ver o dinheiro público sendo transformado em obras, serviços e qualidade de vida.

Temos uma arrecadação muito grande, mas precisamos discutir as prioridades do município. Um exemplo é a creche do PAC, que teve o lançamento da pedra fundamental. A pergunta que fica é: quando essa obra vai estar pronta e atendendo as crianças? Estamos inaugurando obras realizadas com dinheiro do Governo Estadual.

A saúde precisa de atenção. Casimiro é um município grande em extensão territorial, mas pequeno em população, e é preciso saber administrar a saúde para atender bem os moradores de todas as localidades. Na educação, também precisamos oferecer uma estrutura melhor e condições adequadas para nossas crianças e jovens, e para quem está trabalhando nos setores.

 

GIRO – Diante das denúncias e dos questionamentos apresentados na Câmara, existe hoje a possibilidade de um processo de impeachment contra Ramon Gidalte. Na sua avaliação, esse processo tem condições de avançar e chegar a uma votação?

Lelei da Marmoraria: Eu acho difícil chegar à votação, porque hoje os vereadores da base são em maior número e os vereadores de oposição são em menor número. Então, existe uma dificuldade política para que isso avance dentro da Câmara.

Mas acredito que o mais importante é que tudo seja analisado com responsabilidade. Se existem denúncias, documentos e situações que precisam ser apuradas, é necessário que sejam investigadas. O meu papel é continuar fiscalizando e mostrando aquilo que considero que precisa ser esclarecido.

 

GIRO – O senhor reconhece algum avanço ou medida positiva do atual governo, mesmo fazendo oposição?

Lelei da Marmoraria: Eu não consigo ver nada de positivo nesse mandato do Ramon. Nos primeiros quatro anos, eu conseguia ver ações sendo realizadas. E não digo isso porque eu era vice-prefeito, porque eu fui um vice bastante inoperante. Mas eu via as coisas acontecendo, tanto que veio a reeleição.

Agora estamos com um ano e meio de governo e, sinceramente, o que eu vejo são situações que precisam ser explicadas. Como você explica uma máquina que, pela quantidade de combustível consumida em um único dia, teria que estar trabalhando 27 horas por dia? Isso não fecha. São situações como essa que precisam ser fiscalizadas e esclarecidas, porque estamos falando de dinheiro público.

Fazer oposição não significa dizer que tudo está errado. Se eu enxergar uma ação positiva, vou reconhecer. A oposição precisa ser responsável. Não podemos simplesmente dizer não para tudo. Precisamos analisar cada situação e cobrar aquilo que precisa ser melhorado. Só vejo dinheiro sumindo, como você explica uma máquina consumindo mais horas de combustível. Mas, até agora, na minha avaliação, faltam resultados e existem muitas situações que precisam ser explicadas.

GIRO – O senhor tem se posicionado de forma preocupada em relação aos gastos do município com grandes eventos e shows. Agora, Casimiro de Abreu terá novamente atrações nacionais na Festa de Setembro. Qual é o seu ponto de vista sobre esses eventos e sobre a forma como os recursos públicos estão sendo utilizados nessa área?

Lelei da Marmoraria: A população gosta de ter grandes artistas nacionais em Casimiro, isso é inegável. Mas a questão que precisa ser feita é: quanto isso custou ao município? E, principalmente, qual será o retorno desse investimento?

Eu acredito que a população está cansada de simplesmente ter o chamado ‘pão e circo’. O evento precisa trazer alguma coisa para a cidade. Vai atrair turistas? Vai movimentar a economia? Vai beneficiar o comércio, os hotéis, os restaurantes? Essa é a discussão que precisa ser feita. Porque estamos com muitas pendências na cidade.

Nós tivemos recentemente um show do Alceu Valença, que é um grande artista, mas o evento aconteceu em um domingo à noite. Então, também precisamos pensar na estratégia e em como esses eventos podem trazer retorno para o município. Não basta contratar um artista de nome e realizar o show. É preciso pensar no evento como um todo, para que ele movimente o comércio, atraia visitantes e gere benefícios para a cidade.

A população gosta de shows e quer ter esse tipo de evento, mas também quer a sua rua calçada e sem buracos, quer atendimento no posto de saúde, exames realizados em um prazo adequado, tratamentos acontecendo e os serviços básicos funcionando com qualidade. É preciso conciliar as coisas e entender quais são as prioridades da população.

E faço essa mesma reflexão em relação à Festa do Aipim. Existe a necessidade de gastar o valor que foi gasto? Será que parte desse recurso não poderia ter sido investida diretamente no produtor rural, com ações como melhoria genética do rebanho, aquisição de equipamentos, tratores, máquinas ou até apoio para o produtor na produção e no escoamento?

A minha crítica não é contra o artista, contra a festa ou contra os eventos. A questão é planejamento e prioridade. Se o município vai investir dinheiro público, precisamos saber qual é o resultado que queremos alcançar e se aquele investimento realmente está trazendo retorno para a população. É isso que eu questiono.

 

GIRO – Casimiro tem um potencial turístico que vai da serra ao mar. Na sua visão, por que esse potencial ainda não é melhor aproveitado?

Lelei da Marmoraria: Falta planejamento turístico e uma divulgação permanente. Não adianta divulgar Casimiro durante uma semana quando existe um evento. Precisamos trabalhar o turismo durante o ano inteiro.

Temos Barra de São João, temos a serra, rios, natureza, história e vários outros atrativos. Muitas vezes, o próprio morador de uma localidade não conhece o que existe na outra. É preciso um plano de ação para integrar essas regiões e criar uma identidade turística para o município. Casimiro pode receber muito mais visitantes e movimentar muito mais a economia se houver planejamento e divulgação adequada, dos atrativos do município.

 

GIRO – Em seus discursos, o senhor também defende a atração de novas empresas para o município. O que Casimiro precisa fazer para gerar mais empregos e movimentar a economia?

Lelei da Marmoraria: Precisamos criar condições para que as empresas tenham interesse em vir para Casimiro. É necessário reduzir burocracias, oferecer incentivos e preparar o município para receber novos investimentos.

Uma empresa pode procurar dois municípios e escolher aquele que oferece mais agilidade e melhores condições. Se demorarmos para liberar uma documentação ou criar condições para esse empresário, ele pode simplesmente ir embora para outra cidade.

A geração de empregos precisa ser tratada como uma política pública. Quando uma empresa chega, gera emprego, movimenta o comércio e faz o dinheiro circular dentro do próprio município.

 

GIRO – Existe também uma discussão sobre a integração entre Casimiro de Abreu e Barra de São João. O senhor acredita que existe uma divisão dentro do próprio município? E como o senhor avalia a situação de quem mora em Barra de São João, Rio Dourado e outras localidades e precisa pagar pedágio para se deslocar dentro do próprio município? Esse assunto, inclusive, já foi discutido na Câmara, principalmente diante do aumento da tarifa, que passará para R$ 10,80 a partir desta quarta-feira (9).

Lelei da Marmoraria: Existe, e precisamos superar isso. É uma questão que envolve política, mas também a forma como o município é administrado. Quando você tem um morador de Barra de São João ou de Rio Dourado que precisa se deslocar para outras áreas de Casimiro e ainda precisa pagar pedágio, isso acaba sendo mais uma dificuldade para essa integração.

Barra de São João tem uma população muito importante e um potencial enorme, mas muitas vezes existe a sensação de que não está sendo representada como deveria. E o pedágio acaba sendo mais um fator que pesa para quem precisa circular entre essas localidades. Esse aumento para R$ 10,80 também foi uma preocupação discutida na Câmara, porque estamos falando de um custo que pesa no bolso de quem precisa acessar a cidade e principalmente quem passa pelo trecho com frequência.

Precisamos ter uma visão de município inteiro, precisamos buscar a solução, que sempre é debatida e fica por isso mesmo. Casimiro não pode ser pensado apenas pela sede. Temos Barra de São João, Professor Souza, Rio Dourado e outras localidades. Precisamos trabalhar pela integração de todos e buscar alternativas para que o morador não seja penalizado para circular dentro do próprio município.

 

GIRO – O senhor pretende disputar a Prefeitura de Casimiro de Abreu? Já existem conversas com partidos e outras lideranças para uma possível candidatura?

Lelei da Marmoraria: Hoje, minha prioridade continua sendo cumprir o meu mandato de vereador, fiscalizar e mostrar para a população o que está acontecendo no município. Mas a política não para, e eu me coloco como pré-candidato a prefeito de Casimiro de Abreu. É uma decisão que precisa ser construída com responsabilidade, ouvindo a população e discutindo um projeto para o município. Não se trata apenas de querer ser prefeito. É preciso estar preparado.

Então, estou afirmando minha pré-candidatura, acompanhando o cenário político e avaliando os próximos passos. Enquanto isso, sigo cumprindo meu papel como vereador e fazendo a fiscalização que considero necessária.

 

GIRO – Que mensagem o senhor deixa para o morador de Casimiro de Abreu que completa neste mês de aniversário, uma das cidades mais antigas da região Costa do Sol.

Lelei da Marmoraria: A cidade está fazendo 167 anos. É uma história que merece respeito e povo precisa ser parabenizado. E, para essa mensagem final, me veio à lembrança uma entrevista do ex-prefeito de Itaboraí, Sérgio Soares.

Ele pegou Itaboraí em uma época muito difícil e, durante quatro anos, conseguiu pavimentar muitas ruas, comprar maquinário e realizar uma série de ações. Em uma entrevista, perguntaram a ele como tinha conseguido fazer tanta coisa. E ele respondeu: “É só não roubar”.

Então, esse é o recado que eu deixo para Casimiro: ‘É só não roubar’.

 

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