GIRO NA DIVERSIDADE – Tem uma coisa que cansa mais do que o preconceito escancarado: a preguiça disfarçada de curiosidade. Pessoas LGBTI+ são constantemente colocadas no papel de professoras de tudo aquilo que muita gente nunca se deu ao trabalho de aprender. E o pior é que isso quase sempre vem acompanhado de perguntas imbecis que já deveriam ter ficado no passado. “Quem é o homem da relação?” num relacionamento de duas mulheres, por exemplo. Não é curiosidade, é falta de noção.
Existe uma diferença clara entre querer aprender e terceirizar responsabilidade. Quando alguém faz uma pergunta que poderia ser resolvida com uma busca básica, o que está em jogo não é interesse genuíno, é comodidade. É mais fácil constranger alguém do que abrir o celular e pesquisar. E assim, mais uma vez, pessoas LGBTI+ são empurradas para o lugar de explicadoras oficiais do mundo, como se suas vivências fossem um serviço público disponível o tempo inteiro.
E não, nem todo mundo tem paciência, tempo ou obrigação de responder. Existe um limite entre diálogo e invasão. Perguntas sobre corpo, prática sexual e identidade não são quebra-gelo, são desrespeito. O direito de não ensinar também é um direito. E ele precisa ser entendido sem drama, sem ofensa e, principalmente, sem insistência.
Talvez esteja na hora de um pouco de simancol coletivo. Antes de perguntar, pesquise. Antes de falar, pense. E antes de exigir respostas, entenda que ninguém é obrigado a transformar a própria existência em aula. Porque respeito não começa na curiosidade, começa no limite.














