GIRO RIO DAS OSTRAS – Mais uma vez, em Rio das Ostras, o Canal de Medeiros, conhecido popularmente como Valão, transbordou, nesta terça-feira (20) e causou transtornos para moradores e turistas da região. Ruas alagadas de águas de esgoto, prejuízos e sensação de abandono voltaram a fazer parte da rotina de quem vive próximo ao canal.
O problema não é novo. A cada chuva mais intensa, o cenário se repete: o canal não suporta o volume de água e acaba invadindo ruas e e algumas vezes residências. Para tentar minimizar os impactos, foi criado um piscinão, com a função de sugar a água de algumas ruas e lançá-la no próprio valão. Na prática, porém, a medida chega a agravar a situação.
Moradores relatam que o sistema apenas transfere o problema de lugar, já que o canal, sem capacidade adequada de vazão, não consegue absorver o volume extra. O resultado é o transbordamento recorrente e o retorno da água para as vias urbanas, que possui grande fluxo de veículos, ciclistas e pedestres.
A falta de pavimentação e a ausência de estrutura de contenção ao longo do canal agravam ainda mais a situação. Com o avanço da água, os buracos da via de terra aumentam, dificultando a passagem de carros, motos e pedestres, elevando o risco de acidentes e causando danos a veículos. Em alguns trechos dos quase 4 quilômetros de extensão da rua beira-valão, o solo cedeu e se formaram verdadeiros bolsões de água, transformando a via em um percurso perigoso e quase intransitável.
Outro ponto crítico é que a água do Valão é composta por esgoto, o que transforma o convívio direto e cada transbordamento em um grave problema de saúde pública. Moradores e turistas ficam expostos a contaminações, mau cheiro e proliferação de insetos e doenças, especialmente em uma área que recebe intenso movimento. Em alguns trechos, o canal fica a cerca de 400 metros da praia, e da principal rua da cidade, Rodovia Amaral Peixoto.
O episódio reforça a necessidade de investimentos estruturais definitivos, com obras de contenção adequada das margens e pavimentação da via, além de macrodrenagem, um planejamento urbano que leve em conta o crescimento da cidade e os impactos das chuvas cada vez mais intensas.
“O carnê do IPTU chegou e ninguém faz nada para mudar isso. Não aguentamos mais essa realidade”, desabafou uma moradora, indignada. Já uma turista de Teresópolis, que alugou uma casa pelo Airbnb, disse estar assustada com a situação. “Alugamos a casa pela boa estrutura, que é bonita, e pela proximidade com a praia, mas não sabíamos que havia um valão e que ele quase invade a casa”, relatou.
Enquanto soluções paliativas continuam sendo adotadas, quem mora na região segue convivendo com o medo a cada nova previsão de chuva — e com a certeza de que o problema, mais cedo ou mais tarde, voltará a se repetir.












