GIRO RIO DAS OSTRAS – O prefeito de Rio das Ostras, Carlos Augusto Balthazar, anunciou, em entrevista a uma rádio local, novos investimentos e projetos para 2026, com destaque para ações nas áreas de mobilidade, segurança e infraestrutura urbana. Apesar do pacote de anúncios, um dos problemas mais antigos e sensíveis do município ficou fora do planejamento apresentado: o Canal de Medeiros (valão).
Durante a entrevista, na qual o chefe do Executivo fez um balanço da gestão em 2025 e detalhou as ações previstas para o próximo ano, o tema não foi mencionado, o que voltou a gerar questionamentos entre moradores das regiões diretamente afetadas pelo canal.
Carlos Augusto também enfatizou a parceria com o Governo do Estado, que garantiu investimentos como a revitalização da Lagoa de Iriry, a implantação da Operação Segurança Presente e a recuperação da Rodovia do Contorno.
Para 2026, anunciou a implantação de câmeras de monitoramento, novos radares, estacionamento rotativo, licitação do transporte alternativo, saneamento no bairro Âncora, ciclovia na Rodovia do Contorno e reforço no efetivo de agentes de trânsito. Projetos como a revitalização da Vila Olímpica, do Ginásio Benedito Zarour e do Parque da Cidade também foram citados.
Apesar do pacote de anúncios, moradores de diferentes bairros voltaram a questionar a ausência de medidas efetivas para o Canal de Medeiros, um problema crônico que afeta diretamente a qualidade de vida da população. Em alguns pontos, o canal está a cerca de 300 metros da praia e da Rodovia Amaral Peixoto e é um esgoto a céu aberto, sem pavimentação no entorno, em contato direto com moradores e turistas. Pela proximidade com a via principal da cidade e praias, muitos visitantes se hospedam nesses bairros, que registram intensa circulação de carros, motos, ciclistas e pedestres — incluindo crianças, idosos e gestantes — expostos diariamente ao esgoto.
Segundo relatos, em diversos trechos a água do valão chega à margem da rua, agravando o risco sanitário e ambiental. A presença constante de esgoto favorece o crescimento da gigoga, planta aquática que se espalha pelo valão e é retirada em ações pontuais de limpeza. No entanto, moradores ressaltam que essa prática está longe de representar uma solução, ou mesmo uma medida paliativa, para o problema estrutural enfrentado por ao menos oito bairros do município.
Para a população, a retirada da vegetação apenas mascara a situação, sem qualquer intervenção definitiva. O cenário se repete há anos e segue sem respostas concretas do poder público, mesmo diante dos riscos à saúde, do mau cheiro e da degradação ambiental. A situação se agrava drasticamente no período de chuvas, quando o Canal de Medeiros transborda, espalhando esgoto in natura pelas vias públicas, calçadas e entra em algumas residências.
Enquanto novos projetos são anunciados e obras estruturantes entram no planejamento para 2026, o Canal de Medeiros permanece como símbolo de uma demanda antiga que, mais uma vez, não aparece entre as prioridades da administração municipal.














