GIRO NOS SEUS DIREITOS – A pensão alimentícia é um tema presente na vida de muitas famílias brasileiras. Seja após um divórcio, o fim de uma união estável ou em situações envolvendo filhos, trata-se de uma obrigação que costuma gerar dúvidas, insegurança e até conflitos emocionais.
Uma das perguntas mais frequentes é se a pensão é definitiva ou se pode mudar com o passar do tempo.
A resposta é clara: a pensão alimentícia não é imutável. O Direito reconhece que a vida das pessoas muda, e a obrigação alimentar acompanha essas transformações.
Como a pensão é definida pela lei
No direito brasileiro, a fixação da pensão alimentícia se baseia no chamado binômio necessidade e possibilidade. Isso significa que o valor deve ser suficiente para atender às necessidades de quem recebe, sem comprometer de forma desproporcional a condição financeira de quem paga.
Quando esse equilíbrio deixa de existir, surge a possibilidade de revisão judicial do valor fixado.
A pensão, portanto, não é um castigo nem um privilégio. Ela é um instrumento de proteção e equilíbrio, pensado para garantir dignidade a quem depende desse auxílio.
Quando é possível pedir a revisão da pensão
A revisão da pensão alimentícia pode ser solicitada sempre que houver mudança relevante na situação de qualquer das partes. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando o responsável pelo pagamento perde o emprego, tem redução significativa de renda ou passa a enfrentar despesas extraordinárias, como problemas de saúde.
Da mesma forma, o valor pode ser revisto para mais quando o alimentado passa a ter novas necessidades, como gastos com escola, faculdade, tratamentos médicos ou outras despesas comprovadas.
Cada caso deve ser analisado individualmente, sempre com base em provas e na realidade concreta das pessoas envolvidas.
Em quais situações a pensão pode ser cancelada
O cancelamento da pensão alimentícia ocorre em hipóteses mais específicas. Um exemplo bastante conhecido é quando o filho atinge a maioridade. No entanto, é importante esclarecer que completar 18 anos não extingue automaticamente a obrigação.
Se o filho ainda estiver estudando e não tiver condições de se sustentar sozinho, a pensão pode ser mantida por decisão judicial, este é um dos casos hipotéticos.
Outro cenário comum envolve a pensão paga ao ex-cônjuge ou ex-companheiro. Caso a pessoa passe a ter autonomia financeira, inicie uma nova união ou casamento, ou demonstre que não necessita mais do auxílio, a obrigação pode ser revista ou até extinta.
Atenção: mudanças não podem ser feitas por conta própria
Um ponto essencial que merece destaque é que nenhuma alteração no valor da pensão pode ser feita de forma unilateral. Reduzir ou suspender o pagamento sem autorização judicial pode gerar consequências graves.
Entre elas estão a cobrança judicial, a penhora de bens e, em situações mais extremas, a prisão civil do devedor.
Mesmo quando há acordo entre as partes, o mais seguro é que ele seja formalizado e homologado pelo Judiciário. O acordo informal, por si só, não afasta a obrigação legal.
O que diz a lei atualmente
O Código Civil brasileiro autoriza expressamente a revisão dos alimentos sempre que houver alteração na situação financeira de quem paga ou na necessidade de quem recebe. A jurisprudência atual segue essa mesma linha, valorizando a análise individual de cada caso.
Os tribunais têm reforçado que a pensão deve refletir a realidade das partes, e não uma situação passada que já não existe.
Equilíbrio, diálogo e orientação jurídica
Mais do que uma obrigação rígida, a pensão alimentícia deve ser vista como um instrumento de equilíbrio e justiça familiar. Ela existe para proteger, não para punir ou perpetuar conflitos.
Informação clara, diálogo responsável e orientação jurídica adequada são sempre o melhor caminho para ajustar a obrigação à realidade, preservando a dignidade de todos os envolvidos.
Este conteúdo é informativo. Em caso de dúvida, procure um advogado de sua confiança.
João Viseu – OAB/RJ 254.384












