GIRO CABO FRIO – A histórica Cabana do Pescador, construída na década de 1940 entre as praias do Peró e das Conchas, em Cabo Frio, poderá ser revitalizada e transformada em um Centro de Memória dedicado à cultura da pesca artesanal e em ponto de apoio às atividades turísticas. A proposta será analisada em audiência nesta quinta-feira (26), às 15h, na 1ª Vara Federal de São Pedro da Aldeia.
Assinado pela arquiteta Paula Barreto, da Coordenadoria de Urbanismo da Prefeitura, o projeto já recebeu parecer favorável do Ministério Público Federal (MPF), da Secretaria Municipal de Turismo e de entidades representativas da comunidade do Peró. A Cabana ganhou projeção nacional ao servir de cenário para produções audiovisuais, entre elas a novela Avenida Brasil, da Rede Globo, na qual foi a “casa do Tufão”, personagem interpretado por Murilo Benício.
A nova versão substitui um projeto anterior vetado pelo MPF. A audiência contará com representantes do órgão federal, da Prefeitura de Cabo Frio, dos herdeiros de Jamil dos Anjos — último morador do imóvel, falecido em agosto de 2014, aos 73 anos — além de integrantes dos Amigos do Peró e da Associação Comercial e Turística do Peró (Acetur), que também aprovaram a proposta. O município deverá apresentar uma proposta de indenização aos três herdeiros.
Segundo a arquiteta Paula Barreto, a iniciativa busca consolidar o espaço como referência cultural. “Quando concretizado, o espaço será uma referência na valorização da cultura marítima em Cabo Frio, fortalecendo a conexão entre a cidade e suas raízes pesqueiras. A Cabana do Pescador garantirá que essa tradição continue viva, inspirando novas gerações a reconhecer seu valor para a identidade local”, afirmou.
Localizada dentro do Parque Estadual da Costa do Sol (PECS), unidade de proteção integral, a Cabana não poderá abrigar atividades comerciais como restaurante ou lanchonete com instalação de banheiros. Laudo técnico anexado ao processo, assinado pelo gestor ambiental Glauco Castro da Silva, aponta que o local não comporta descarte de efluentes e águas servidas, o que motivou o veto ao projeto anterior.
A nova proposta prevê a criação de um espaço voltado à valorização da pesca artesanal e da cultura marítima de Cabo Frio. “Mais do que um local de exposição, a cabana se consolidará como um centro de memória e identidade cultural, um ambiente vivo de encontros, troca de saberes e fortalecimento do vínculo entre a cidade e a tradição pesqueira”, ressaltou a arquiteta.
Para Marta Rocha, do grupo Amigos do Peró, a iniciativa representa um novo momento para a região. “A proposta é muito boa. Será um ponto turístico extremamente importante, não só para o Peró, como para toda a região, fomentando o turismo histórico, cultural, de natureza e o geoturismo, entre outros segmentos”, destacou.
Aprovado pelo secretário municipal de Turismo, Davi Barcelos, o projeto tem como objetivo preservar e divulgar a história da pesca artesanal — um dos pilares do patrimônio imaterial do município. O espaço deverá funcionar como núcleo de informação turística e cultural, aberto a moradores, pesquisadores e visitantes interessados em compreender a relevância da atividade pesqueira na formação da identidade local.
De acordo com o plano apresentado, a Cabana do Pescador contará com área para exposições, eventos culturais e atividades interativas. A ambientação buscará reproduzir o universo dos pescadores, evocando o ritmo do mar, os sons das embarcações e o cotidiano da atividade. Painéis informativos, objetos históricos e oficinas de saberes tradicionais integrarão o circuito expositivo.
“Peró e Conchas irão viver um novo momento com a Cabana restaurada”, afirmou o secretário Davi Barcelos.
Principais itens do projeto
Entre as ações previstas estão:
-
Manutenção da volumetria da construção, sem intervenções na fachada, respeitando o tombamento municipal e estadual;
-
Exposição do acervo pessoal de Jamil dos Anjos, incluindo canoa, artigos de pesca, fotos e objetos pessoais;
-
Mostra de réplicas em miniaturas de traineiras e barcos pesqueiros típicos da região, inclusive do barco de Jamil;
-
Apresentação das estruturas rochosas e das areias que compõem o Geoparque, com experiência sensorial voltada a deficientes visuais;
-
Espaço para exposições itinerantes e mostras culturais de artistas;
-
Sala audiovisual com exibição de curta-metragem sobre a biografia de Jamil e a história da Cabana;
-
Sala dedicada a meio ambiente e turismo, com apoio à trilha do Morro do Vigia e Central de Atendimento ao Turista;
-
Previsão de área destinada a PRAD (Plano de Recuperação de Área Degradada);
-
Manutenção do deck externo para realização de eventos culturais e turísticos;
-
Criação do “Bloco do Jamil”, a ser incluído no calendário oficial de blocos de Carnaval, com realização na área externa da Cabana.














