GIRO BRASIL – O Brasil voltou a registrar desempenho negativo no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), divulgado nesta terça-feira (10) pela Transparência Internacional. O país aparece na 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados, mantendo uma das piores colocações de sua série histórica.
O país obteve 35 pontos, em uma escala que vai de zero a cem — em que notas mais baixas indicam maior percepção de corrupção —, praticamente repetindo o desempenho de 2024, quando registrou 34 pontos. A variação de apenas um ponto não é considerada estatisticamente significativa pela entidade, o que indica estagnação no combate à corrupção.
Segundo a Transparência Internacional, o resultado mantém o Brasil abaixo da média global e da média das Américas, ambas em 42 pontos, e reflete fragilidades institucionais persistentes, além da recorrência de casos de macrocorrupção e da infiltração do crime organizado em setores estratégicos do Estado.
Na comparação internacional, o Brasil ficou próximo de países como o Sri Lanka, que também registrou 35 pontos, e atrás de nações como Argentina, Belize e Ucrânia, que alcançaram 36 pontos. Já entre os países mais bem avaliados do ranking estão Dinamarca (89 pontos), Finlândia (88) e Cingapura (84), considerados referências globais em transparência e controle institucional. No extremo oposto da lista aparecem Somália e Sudão do Sul, ambos com 9 pontos, ocupando as últimas posições do índice.
O relatório aponta que, apesar de avanços pontuais — como o uso ampliado de inteligência financeira no combate à lavagem de dinheiro —, o país ainda enfrenta dificuldades para dar respostas rápidas e coordenadas a grandes escândalos. A entidade também cita episódios de impunidade e falhas na prevenção de conflitos de interesse como fatores que impactam negativamente a percepção internacional.
Diante desse cenário, a Transparência Internacional defende a retomada urgente de uma agenda anticorrupção consistente, com fortalecimento dos mecanismos de controle, mais transparência na administração pública e maior coordenação entre os poderes da República.
O que o Brasil precisa fazer para melhorar no ranking de corrupção
Fortalecer a integridade institucional
Adotar critérios técnicos e transparentes na nomeação para cargos estratégicos, especialmente em agências reguladoras e órgãos de fiscalização.
Aumentar a transparência no uso de recursos públicos
Investigar indícios de desvios e corrupção na distribuição de emendas parlamentares, com atenção especial a órgãos com histórico de irregularidades.
Apurar o caso Banco Master
Instalar a CPMI do Banco Master no Congresso Nacional, garantir transparência nas investigações e solicitar informações formais ao STF e ao Banco Central sobre o sigilo e os atos praticados no caso.
Reforçar mecanismos de responsabilização
Assegurar que acordos de leniência e colaborações premiadas sigam critérios técnicos, com sanções proporcionais, transparência e participação das vítimas.
Aprimorar regras no sistema de Justiça
Implementar códigos de conduta com regras objetivas de impedimento e prevenção de conflitos de interesse, além de ampliar a transparência de agendas, viagens e benefícios.
Combater privilégios e supersalários
Garantir o cumprimento efetivo do teto constitucional no Judiciário e no Ministério Público, com ampla transparência sobre remunerações.
Ampliar a coordenação entre os poderes
Fortalecer a atuação conjunta entre Executivo, Legislativo e Judiciário para consolidar uma política anticorrupção contínua e eficaz.










