GIRO RIO DAS OSTRAS – Quantos cães e gatos vivem em Rio das Ostras? Onde estão concentrados? Quantos já foram vacinados contra a raiva ou passaram por castração? Para responder a essas e outras perguntas, o município está realizando seu primeiro Censo Animal, com uma tecnologia desenvolvida integralmente por servidores da própria Vigilância em Saúde.
A iniciativa pretende conhecer melhor a população animal nas diferentes localidades, identificar possíveis riscos de transmissão de doenças e utilizar essas informações para planejar políticas públicas de saúde animal e humana.
O trabalho é realizado por Agentes de Combate às Endemias (ACEs), que percorrem as residências utilizando tablets para registrar as informações diretamente em um aplicativo criado especialmente para o levantamento. Um dos diferenciais é que o sistema funciona mesmo sem internet ou sinal de celular, permitindo que os agentes realizem o trabalho em qualquer região do município.
Ao final de cada dia, os dados são transferidos por Bluetooth para o equipamento do supervisor e encaminhados ao Setor de Informação. Uma automação, também desenvolvida pela equipe municipal, processa os registros e gera planilhas para análise da Vigilância Ambiental.
O levantamento contempla não apenas cães e gatos, mas também galinhas, cavalos, aves ornamentais, como pavões e faisões, patos, marrecos, gansos e diferentes espécies de aves domésticas, como papagaios, araras, periquitos, calopsitas, canários e coleiros.
Com os dados organizados, a Prefeitura poderá identificar a quantidade de animais por localidade, verificar a cobertura vacinal contra a raiva, mapear os animais castrados e reconhecer áreas que exigem maior atenção em relação às zoonoses.
Na prática, as informações devem ajudar a direcionar campanhas de vacinação antirrábica, programas de castração, ações educativas e estratégias de prevenção e controle de doenças. A proposta é substituir estimativas por informações coletadas diretamente nas residências.
Segundo a superintendente de Vigilância em Saúde, Nirvana Braga, o mapeamento permitirá direcionar os serviços públicos para as regiões que mais precisam, aumentando a eficiência das ações voltadas à saúde animal e, consequentemente, à saúde da população.
O coordenador de Vigilância Ambiental, Jorgito Pinheiro, destaca que a ferramenta foi desenvolvida pela própria equipe municipal para atender às necessidades do trabalho em campo. Antes da implantação, o aplicativo passou por testes com um grupo de controle.
Moradores questionam cobertura do levantamento
Apesar da importância da iniciativa, ainda há dúvidas sobre a abrangência territorial do censo. A Prefeitura não informou quais bairros já receberam a visita dos agentes nem quais localidades estão previstas para as próximas etapas.
No Recanto, moradores relatam que o levantamento ainda não teria passado pela região. A comunidade também chama atenção para a existência de uma grande colônia de gatos em situação de rua, que, segundo os relatos, vive sem os cuidados necessários.
A situação levanta uma questão importante: como será feito o mapeamento dos animais que não possuem tutores ou vivem nas ruas? A identificação dessas populações é fundamental para que as políticas de castração, vacinação e controle de zoonoses também alcancem animais em situação de vulnerabilidade.
A divulgação do cronograma por bairros e dos procedimentos adotados para identificar animais comunitários ajudaria os moradores a acompanhar o trabalho e entender como contribuir com o levantamento.





