GIRO RIO DAS OSTRAS – Rio das Ostras amanheceu neste sábado (3) com ruas alagadas em diferentes bairros depois da chuva registrada durante a madrugada. Desde sexta-feira (2), alguns pontos da cidade já apresentavam acúmulo de água, mas o volume registrado durante a noite agravou a situação.
O Rio Jundiá e o Valão de Medeiros transbordaram em alguns trechos, enquanto o Piscinão da Cidade Praiana também amanheceu cheio. Em algumas localidades, a água avançou pelas ruas e formou grandes bolsões. Em outras, as vias se transformaram em verdadeiros rios, se tornando intransitáveis.
Na manhã deste sábado, a Defesa Civil emitiu alerta para risco de inundação e alagamentos. O aviso foi divulgado quando a cidade já amanhecia com diversos pontos tomados pela água, ruas alagadas, rios e canais transbordando e moradores enfrentando dificuldades para sair de casa e circular.
Um cenário que já vinha sendo anunciado
A chuva dos últimos dias acontece em um período de atenção redobrada para as condições climáticas. Desde os meses anteriores, órgãos meteorológicos vinham acompanhando o fortalecimento do super El Niño, fenômeno que pode provocar alterações nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do Brasil.
Na atualização mais recente do Painel El Niño 2026-2027, divulgada pelo INPE e pelo INMET, a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte chegou a 95% entre outubro e dezembro. O monitoramento também aponta possibilidade de persistência do fenômeno até o início de 2027.
O alerta sempre reforçou a necessidade de preparação para períodos de chuva mais intensa e para os impactos que podem atingir áreas urbanas vulneráveis, como o Valão de Medeiros, que recebe esgoto in natura e água pluvial de boa parte da cidade, não apenas dos bairros cortados pelo canal.
No entorno do Valão de Medeiros, a chuva voltou a evidenciar uma situação conhecida de dezenas de anos pelos moradores há anos.
Em vários pontos da via que acompanha o canal, o nível da rua já fica muito próximo da altura da água mesmo em períodos sem chuva. Com pouca precipitação, a água ultrapassa a margem e já invade a rua. Quando o volume aumenta, a água avança rapidamente para a pista.
Uma das medidas defendidas pelos moradores é a elevação do nível da via em trechos considerados visivelmente mais vulneráveis. A intervenção poderia funcionar como uma medida paliativa enquanto soluções estruturais de drenagem, contenção e recuperação das margens não são realizadas.
A situação também é influenciada pela elevação dos níveis dos rios da região. Em períodos de cheia do Rio São João, a água tende a pressionar o sistema do Valão de Medeiros. Quando esse cenário coincide com chuva forte e maré alta, a possibilidade a água do Rio São João adentrar o canal buscando saída é grande.
Porém o episódio deste sábado vai além da emergência provocada pela chuva e reacende uma discussão antiga: quanto dessas áreas poderiam ser protegidas antes que a água chegasse às ruas?
Elevar trechos vulneráveis das vias, reforçar margens, melhorar a drenagem e manter canais e estruturas de retenção em condições adequadas são algumas das medidas que podem contribuir para reduzir os impactos de novos episódios de chuva intensa.
O cenário ganha ainda mais importância diante do monitoramento do super El Niño e das previsões para os próximos meses.
Em Rio das Ostras, a chuva destes últimos dias deixa uma pergunta que permanece mesmo depois que a água baixar: o que precisa ser feito agora para que os mesmos pontos não voltem a ficar debaixo d’água na próxima chuva?
Neste domingo (4), quando os moradores também irão às urnas, muitos deles precisarão enfrentar os efeitos dos problemas de infraestrutura que fazem parte do cotidiano da cidade e vale lembrar disso na hora de votar.





