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Home Colunistas

Inflação além dos índices: por que consumidor sente custo de vida aumentar

Vitor Vargas by Vitor Vargas
23/07/2026
in Colunistas, Vitor Vargas
Reading Time: 4 mins read
0
Inflação além dos índices: por que consumidor sente custo de vida aumentar

Reprodução

GIRO NA ECONOMIA – O Brasil atravessa mais um período de pressão econômica, marcado por aumento de custos, incertezas e o retorno do debate em torno da chamada “super tarifa”. Embora a inflação oficial esteja em um patamar distante dos períodos de hiperinflação vividos no passado, a percepção do consumidor é de que o dinheiro está desaparecendo cada vez mais rapidamente.

Essa sensação aparece principalmente no supermercado, nas farmácias, nos postos de combustíveis e no comércio em geral.

Uma inflação acumulada próxima de 5% pode parecer baixa para quem viveu períodos em que os índices ultrapassavam 10%, 20% ou até 30%. Mas a realidade é que o impacto não é igual para todos.

Quem depende diariamente de arroz, feijão, leite, café, óleo, açúcar e produtos de limpeza sente diretamente qualquer aumento nesses itens. O motorista que abastece o carro todos os dias também sofre mais com o preço dos combustíveis do que alguém que trabalha em casa e utiliza pouco o automóvel.

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Ainda assim, o aumento dos combustíveis acaba afetando toda a população, porque encarece o transporte e influencia o preço de praticamente toda a cadeia de produtos.

Mas existe outro fenômeno que ajuda a explicar por que o consumidor sente que está pagando mais, mesmo quando o aumento do preço não é tão evidente.

São as chamadas reduflação e qualiflação.

A reduflação acontece quando o produto diminui de tamanho, peso ou quantidade. Um pacote que antes tinha um quilo passa a ter 900 gramas. O óleo passa de um litro para 900 mililitros. A barra de chocolate perde peso e a caixa de bombons passa a trazer menos unidades.

A embalagem pode continuar praticamente igual, mas o conteúdo diminui.

Já a qualiflação ocorre quando o tamanho permanece semelhante, mas a qualidade é reduzida. Ingredientes mais caros podem ser substituídos por alternativas de menor custo, alterando o sabor, a textura e a composição do produto.

O chocolate é um dos exemplos mais perceptíveis.

Muitos consumidores têm a impressão de que determinadas marcas já não apresentam o mesmo sabor de anos atrás. Em alguns casos, mudanças na formulação podem explicar essa percepção, com a redução de ingredientes tradicionais e o uso de alternativas mais baratas.

O consumidor, portanto, pode estar pagando o mesmo — ou até mais — por um produto menor ou diferente daquele que estava acostumado a comprar.

A Páscoa também expõe essa relação entre preço e quantidade.

Um ovo de chocolate de 100 gramas vendido por R$ 100, por exemplo, equivale a R$ 1 mil por quilo. A comparação revela por que o preço da embalagem, sozinho, não é suficiente para avaliar se um produto está caro.

O mesmo vale para produtos básicos e itens de consumo diário.

A melhor forma de comparar é observar o preço por quilo, litro ou unidade. Um produto que parece mais barato pode custar mais quando se considera a quantidade efetivamente levada para casa.

A inflação, por isso, é sentida de maneira diferente por cada consumidor.

Quem consome muito chocolate perceberá mudanças no preço, na quantidade e na qualidade. Quem não compra o produto provavelmente não sentirá o mesmo impacto.

O mesmo vale para o combustível, os medicamentos e os alimentos. Cada família possui uma cesta de consumo diferente.

A redução do tamanho ou da quantidade de um produto não é, por si só, ilegal. As empresas podem fazer alterações, desde que informem o consumidor de acordo com as regras estabelecidas.

O problema ocorre quando a mudança é feita de forma que possa induzir o consumidor ao erro. Nesses casos, os órgãos de defesa do consumidor podem ser acionados.

Por isso, é importante prestar atenção às embalagens e aos rótulos. Expressões como “nova fórmula”, “nova receita” ou “novo tamanho” devem levar o consumidor a conferir o peso, a quantidade e a composição do produto.

Também é importante comparar marcas.

A fidelidade a determinado produto pode fazer com que o consumidor continue pagando mais mesmo quando existem alternativas semelhantes e mais competitivas.

O crescimento das marcas próprias dos supermercados ampliou as opções e aumentou a concorrência. Em muitos casos, marcas menos conhecidas podem oferecer uma relação mais equilibrada entre preço e qualidade.

Essa mudança de comportamento já representa um desafio para grandes indústrias. Consumidores mais jovens estão cada vez mais dispostos a experimentar novas marcas e a comparar o que realmente estão levando para casa.

Um produto que diminui de tamanho raramente retorna à quantidade original. Isso pode ser observado em diversos snacks, biscoitos e salgadinhos, que foram ficando menores ao longo do tempo.

O consumidor, então, pode acabar comprando mais unidades para obter a mesma quantidade que consumia anteriormente.

Essa é uma das razões pelas quais a inflação sentida no cotidiano pode parecer maior do que a inflação apresentada nos índices oficiais.

No fim das contas, não basta saber se o preço aumentou.

É preciso observar o que está sendo entregue em troca desse preço.

A melhor defesa do consumidor é a informação: comparar valores por quilo ou litro, conferir o peso, observar a composição e experimentar alternativas.

Porque, muitas vezes, a inflação não aparece apenas na etiqueta.

Ela também pode estar escondida na embalagem menor, na quantidade reduzida ou na mudança da receita.

E, quando essas alterações se acumulam ao longo do mês, é o orçamento do consumidor que sente a diferença.

Vitor Vargas – Consultor VV Consulting

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