GIRO NA PSICOPEDAGOGIA – Quando uma criança demonstra desinteresse pelos estudos, evita tarefas escolares ou parece sempre cansada para aprender, é comum que surja a ideia de “preguiça”. No entanto, na maioria das vezes, esse comportamento não está relacionado à falta de vontade, mas sim a dificuldades que a criança ainda não consegue expressar em palavras.
Nenhuma criança deixa de aprender porque quer. Quando o estudo se torna fonte constante de frustração, erro ou cobrança, o cérebro associa aquele momento ao sofrimento. Como forma de proteção, a criança evita, adia ou se desliga. O que os adultos veem como desinteresse, muitas vezes é um pedido silencioso de ajuda.
Por trás dessa dificuldade podem existir diferentes fatores. Algumas crianças enfrentam dificuldades de aprendizagem, como problemas de atenção, memória ou leitura, e acabam se sentindo incapazes. Outras lidam com questões emocionais, como ansiedade, medo de errar ou baixa autoestima. Há ainda situações em que a metodologia escolar não conversa com o jeito da criança aprender, tornando o processo cansativo e pouco significativo. Questões de rotina, excesso de telas, falta de organização ou até um ambiente pouco tranquilo para estudar também influenciam bastante.
É importante que os pais fiquem atentos a sinais como choro frequente ao fazer tarefas, irritação excessiva, frases negativas sobre si mesma (“eu não sei”, “sou burro”, “odeio estudar”), queda no rendimento escolar ou cansaço desproporcional. Esses comportamentos não devem ser ignorados nem tratados com punição, pois indicam que algo precisa ser olhado com mais cuidado.
Em casa, o papel da família não é substituir a escola, mas oferecer segurança e apoio emocional. Criar uma rotina previsível de estudos, com horários definidos e pausas, ajuda muito. Estar por perto para orientar, sem fazer a atividade pela criança, fortalece a autonomia. Valorizar o esforço, e não apenas o resultado final, contribui para que ela se sinta capaz. Acima de tudo, escutar sem julgamento faz toda a diferença.
Por outro lado, comparações com irmãos ou colegas, castigos relacionados ao estudo e frases que desqualificam o sentimento da criança costumam aumentar ainda mais a resistência. Quando o estudo vira punição, o vínculo com a aprendizagem se enfraquece.
Quando as dificuldades persistem, a parceria com a escola é fundamental. Professores atentos podem adaptar atividades, observar o processo da criança e, quando necessário, orientar a família a buscar apoio especializado, como psicopedagogia, psicologia ou fonoaudiologia. Buscar ajuda não significa fracasso, mas cuidado.
Com acolhimento, compreensão e estratégias adequadas, muitas crianças recuperam a confiança, fortalecem a autoestima e passam a se relacionar melhor com o aprender. O desinteresse diminui quando a criança percebe que é capaz e que não está sozinha.
Rotular uma criança como preguiçosa pode fechar portas. Olhar com sensibilidade abre caminhos. Toda criança quer aprender — o que muda é o apoio de que ela precisa para conseguir.
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