GIRO NA CURIOSIDADE – Todo começo de ano é a mesma coisa: surge nas redes sociais a história do “fevereiro exato”, apresentado como um mês raro, quase mágico, que só se repetiria depois de centenas de anos. Em 2026, a teoria voltou a circular — mas não passa de desinformação.
Segundo o astrônomo Fernando Roig, diretor substituto do Observatório Nacional, a ideia mistura conceitos de calendário e astronomia de forma incorreta. O argumento principal afirma que fevereiro teria quatro ocorrências de cada dia da semana, algo tratado como extraordinário. Na prática, isso é absolutamente normal.
Sempre que fevereiro tem 28 dias — ou seja, quando não é ano bissexto — ele obrigatoriamente terá quatro domingos, quatro segundas, quatro terças e assim por diante. Não há coincidência nem alinhamento raro: é pura matemática.
Outro ponto recorrente nas publicações é a ligação do mês com o ciclo lunar. Mas, segundo Roig, o ciclo completo da Lua dura cerca de 29 dias e meio, e não 28. Portanto, não existe um encaixe perfeito entre fevereiro e o ciclo lunar, como sugerem os textos virais.
O que de fato chama atenção em 2026 é um detalhe simples do calendário: o mês começa em um domingo e termina após quatro semanas completas. Esse padrão, no entanto, se repete com certa frequência, variando entre intervalos de seis e onze anos, dependendo dos anos bissextos.
Há ainda a coincidência de o dia 1º de fevereiro cair em um dia de lua cheia, algo que segue um ciclo astronômico conhecido como ciclo metônico, que ocorre aproximadamente a cada 19 anos. Mesmo assim, não se trata de um fenômeno raro nem extraordinário.
Ao combinar diferentes ciclos — solar e lunar —, é possível encontrar intervalos maiores para coincidências semelhantes, mas isso não sustenta a ideia de um evento único ou histórico.
Em resumo, o chamado “fevereiro exato” não tem nada de misterioso. É apenas mais um mês no calendário, com algumas coincidências conhecidas da astronomia — e nenhuma delas digna de alarde.
Como resume o astrônomo, em tom bem-humorado: o melhor mesmo é aproveitar fevereiro como qualquer outro mês — sem mitos.




